Ler Saramago

By allrizz

Nestes tempos de mau uso da língua portuguesa, ler Saramago é um refrigério para a alma. O uso das palavras, não apenas pelo valor semântico mas também da sonoridade peculiar de cada uma, é uma arte que eu já considerava perdida.

Autores como Saramago contam-se pelos dedos das mãos. Lembro-me de ter sentido igual prazer ao ler Euclides da Cunha, vários trechos de Machado de Assis, William Faulkner e Lawrence Durrell. Algo nesses autores nos convida a continuar lendo-os pela sua musicalidade e ritmo inerentes às suas narativas.

É óbvio  que não é àtoa que Harold Bloom coloca Shakespeare no alto do pedestal. Basta lembrar o monólogo de Hamlet ou a cena das bruxas em Macbeth. Mas o espantoso é que Shakespeare é todo assim: quanto mais se lê, mais se quer reler e voltar a vê-lo e ouvi-lo declamado e representado. Lembrei-me agora de John Gielgud na versào fílmica de “The Tempest”…

Saramago, além de nos deliciar com sua prosa, remete-nos ao paraíso da literatura, por analogia.

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